quinta-feira, 17 de março de 2011

Gian's Saga 4 - Mas Livrai-nos do Mal, Ah... Nem!

- Põe aí: "Argonians: lagartos superdesenvolvidos que acham que são gente, falam com voz de disco riscado e conseguem respirar debaixo d'água. Têm rabo, pele escamosa e um bafo de peixe terrível." Anotou, rapaz?
- Anotado.
- Beleza. Agora: "Khajiits: gatinhos que tomaram leite demais, também acham que são civilizados, a voz parece um caco de vidro arranhando quadro de giz, pulam pacarái, têm rabo, bafo de enguia..." Sobre eles, tá bom.
- Ficou quase igual ao de antes, irmão Gustav.
- Ah, Bruno, essas bestas são todas iguais. Agora me dá um peda'd ca'ne pa mim cumê que eu já vou ditar sobre os orcs.
Bruno gentilmente passa uma fatia remelenta de carne da sua perna para irmão Gustav. O jovem monge com espinhas na cabeça delicia-se com o naco abominável por alguns instantes e então continua o monólogo:
- "Orcs: parecem o Shrek, só que bem mais feios. São fortes pra caramba e tem umas presas de javali, além de serem bons ferreiros. Fedem."
- Irmão Gustav, seu olfato está me parecendo muito exigente.
- Ora, Bruno! Quem não toma o banho do mês é fedorento, ponto final. Agora, fadas...
- Pode falar. - disse Bruno, discretamente levantando o braço para inspecionar se o banho do mês anterior ainda estava em dia.
- "Fadas: na verdade não tem fada nenhuma no jogo lá, nem em lugar nenhum desse mundão que o Gian tá usando como inspiração pra escrever esse conto zoado. Mas a Isa é pequenina demais pra ser qualquer outra coisa, então, vamos fingir que acreditamos que o cruzamento de uma elfa com um vagalume, não me pergunte como, gera uma fada", pode ser?
- Me soa bastante razoável.
- Perfeito. Então vamos aos "Imperiais, bretons, redguards e nórdicos: todos são humanos, e todos são iguais. As únicas diferenças são que os primeiros se acham demais, os segundos têm dedos longos, os terceiros são negros, e os últimos gostam do frio." Pronto.
- Bastante sucinta essa descrição, caríssimo.
- Eu diria até... objetiva! Pois bem, continuemos, sim? - ao sinal positivo deveras exagerado do Bruno, irmão Gustav prosseguiu: - "Altmers e Dunmers: também chamados, respectivamente, de elfos altos e elfos negros, são só a ralé. Podem até ser bons com magia, mas no fundo não passam de um pessoal de voz irritante e orelhas pontudas."
- Percebo algum ressentimento com nossos irmãos élficos, irmão Gustav?
- Nah! - disse Gustav, indo até o musiofone (uma espécie de toca-discos medieval, inventado pelo Bruno)  para colocar um disco. - É só que eu estou reservando o melhor para o final. Escreve aí: "Bosmers:...
E começou a tocar "Preta Pretinha", dos Muito-Velhos Baianos, enquanto Gustav improvisava um passo de dança contorcido, estando visivelmente emocionado.
- ...são os elfos mais maneiros de todos. Na verdade, é a raça mais maneira de TODAS. Eles são sagazes, inteligentes, divertidos, belos, ótimos dançarinos, cineastas fantásticos, tradutores pefeitos e, alguns dos mais incríveis têm a habilidade de enloirecer os cabelos quando querem". - ele jogou as mãos pro alto enquanto suas pernas rodavam que nem alunos do fundão ao receber o último boletim do ano. - Eu comentei que eles também são as criaturas mais viris do continente?
- Hahaha, ok, irmão Gustav, é uma fidedigna descrição da nossa raça, mas... agora que acabou... - disse Bruno, indo retirar a agulha do aparato musical antes que o colega começasse a tentar colocar o pé na cabeça. - Qual foi o objetivo?
Irmão Gustav parou, alisando os fios da clara barbicha.
- O objetivo do quê, meu filho?!
- De descrever as dez raças civilizadas que habitam nosso glorioso continente! Existem centenas de pergaminhos e livros que falam sobre cada uma das raças em detalhes. Por que escrever mais um? Ainda mais um tão... sucinto.
- Eu diria até... direto! Ora, não é óbvio o motivo?! - e esse é o momento em que você imagina o Gustav, vestido de toga marrom, virando solenemente para olhar para você (sim, você leitor!) e apontar uma palma estendida piedosamente em sua direção. - A maioria dos leitores não deve saber pindarola nenhuma sobre essa merda!
- Ah.
- É, ué! Afinal de contas, o insano do Gian começa a falar de argonians, fadas, nórdicos e o escambau, e sequer explica que porra é essa?! É um serviço cone, mas alguém tem que fazê-lo, não é!?
- Claro, claro, irmão Gustav. - disse Bruno, descansando a pena e pegando os eletrodos. - Agora, trato é trato. Você disse que se eu copiasse esse monólogo, apesar de o monge copista aqui ser você, eu ia poder usar sua jacuzzi para testar meu atirador automático de limões, lembra?
- Olha, na verdade não lembro não, e não tem escrito isso em lugar nenhum pra provar. Mas tudo bem, eu tô com preguiça demais pra te impedir. Eu quero mórreeeeer!
- Deixa de drama, irmão Gustav! - disse Bruno, o inventor, correndo empolgado para o luxuoso banheiro do monge.
- Ahhh.... vida de monge é difícil, Rutê. - disse Gustav, se sentando em sua poltrona com encosto reclinável e 27 tipos diferentes de massagem. Ele levantou a mão para afagar sua querida narceja, Rutê, um animal raríssimo, incrivelmente divertido e ótimo jogador de poker.
Irmão Gustav, como é possível observar, é um homem temente aos deuses, cheio de fé e penitência em seu coração, seguidor fiel da castidade e muito comprometido com as doutrinas religiosas. Ou não.
Ele vivia com seu colega bosmer, Bruno, num monastério isolado, no meio da Floresta Ululante. Era uma residência pacata, simples e humilde, com uma biblioteca onde o monge trabalhava e quase nada mais. Apenas três quadras de tênis que nunca eram usadas, uma jacuzzi, seis jardins de inverno (nos quais irmão Gustav cultiva cactos, por ironia), uma sala particular de jogos, oito escadas rolantes (à manivela) e um Home Theater de chocolate, idealizado pro Bruno. Era, como se vê, um lugar monótono, perfeito para um monge copista realizar seu ofício sem se desconcentrar.
O lugar ainda não havia sido encontrado pelos agentes do mal que agora patrulhavam e aterrorizavam todo o Império em nome do caos que caíra sobre a terra, sem pára-quedas, havia três anos. O monastério era ocultado por duas invenções geniais do jovem Bruno, que cercavam todo o perímetro do lugar: placas de PARE e indicações de retorno.
Dessa forma, irmão Gustav vivia em paz, tendo preguiça e traduzindo peças de teatro, enquanto Bruno, seu amigo de infância e atualmente um dos mais brilhantes (ou loucos) inventores do Império, morava com ele, pagando o aluguel em forma de aparelhos úteis à vida notoriamente corrida e estressante do monge.
Os dois elfos da floresta achavam que nenhum mal poderia atingi-los, nem mesmo o mal-de-Parkinson, mas aquele fim de tarde absurdamente belo lhes revelou que a vida... a vida é uma caixinha de surpresas.
- AAAAAAAAHHH!!!!! - gritou Bruno, do terceiro andar, o que fez Rutê voejar assustada para seu poleiro de ouro. Irmão Gustav acordou sobressaltado de seu cochilo na poltrona, irritado que o amigo tivesse interrompido seu sonho com Carmen Electra usando um biquíni de sorvete em dia de sol, e viu o inventor deslizar horrorizado pelo corrimão da magnífica escadaria de mogno.
- Que foi, seu maluco?!
Bruno parecia em estado de choque quando pôs as mãos nos ombros de irmão Gustav e tentou falar:
- Eles... e-eles nos encontraram!
- Quem?! Quem nos encontraram? - perguntou o monge, começando a ficar levemente incomodado. Mas não resistiu à piada: - Relaxa, mizinfio, ainda podem bater "um, dois, três, salve todos"!
Bruno sacudiu a cabeça, em pânico.
- O caos! O horror! - ele engoliu em seco. - Quer que eu seja sucinto?
- Eu diria até... breve! Desembucha logo, criatura!
- Dois unicórnios usando snorkels e pés-de-pato acabaram de se materializar na sua jacuzzi!
Então Gustav estaca novamente, vira-se lentamente com o olhar inexpressivo fixo no leitor e profere, sucintamente:
- Oh, merda.

2 comentários:

  1. aushuiAHIUAHsuAshUIAshUASHUIAHS....placas de pare e retorno são muito boas pra esconder algo...asuHAUSUAIShAUHsuAsuiAHS.....muito bom , amor...continua! asuhAUIshAISUAshuAs..Gustav, eu vou bater salve todos aushUIAHSuAhsuAHsuIAUShAUShuashA

    obs: ainda bem que a minha mãe era a elfa...uffa!
    obs2: eu te amo tanto!

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  2. Heuaheuahuehaeuhuhaeheuhuhea! Muito bom! É tipo a vida dos sonhos pra mim e pro Bruno, até a parte em que a gente é encontrado pelos capetas.
    PS: Carmen Electra de biquini de sorvete em dia de sol? Nada mal, meu caro. Nada mal. Uauauiua.

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