terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Gustav's Saga - DAVE GONE AWAY

Ou: Capítulo 9

Apesar de estar um dia lindo por todo o país, com o sol brilhando azul, risonho e límpido, chovia aos baldes em uma manchinha insignificante no mapa.
Do lado de fora dessa manchinha, na lateral inferior esquerda, por uma estradinha esquecida, vinha um carro. Nesse carro estava o David.
O carro parou em uma banca de pedágio que havia bem abaixo de uma placa com os dizeres "Divisa RO-AC". Um guarda rodoviário se aproximou da porta do motorista e fez sinal para que o vidro fosse aberto.
- Posso ver sua carteira de motorista, senhor?
O motorista sacou o documento na mão impaciente do policial. O guarda deu-lhe as costas para o exame. Era uma carteira de motorista perfeitamente comum, aparentemente. Porém, o uso de um dispositivo emissor de luz ultravioleta revelou um minúsculo carimbo em forma triangular no canto inferior direito. O guarda voltou-se para o carro.
- Está tudo em ordem, senhor. Pode prosseguir. - disse, devolvendo o documento.
- Obrigado. - respondeu o motorista.
- E bem-vindo ao Acre! - acrescentou o guarda, enquanto o carro se afastava.
Do outro lado da divisa, no entanto, não havia nada além de uma placa com uma seta para cima e a palavra "Acre".
O David e o motorista saíram do carro e se aproximaram do centro da pista. Agacharam-se diante de pequenos quadrados amarelos fincados no chão, e, então, o motorista pronunciou uma palavra inaudível. Dois minúsculos teclados pretos, um com dígitos de 0 a 9 e outro com as letras do alfabeto ocidental, saíram de um buraco no solo. Usando-os, o motorista digitou as verdadeiras coordenadas do Acre (que eu juro que procurei pra deixar a história mais realista, mas não encontrei) e, em poucos segundos, uma luz brilhante rasgou as nuvens de chuva, cobrindo os dois completamente. Houve um clarão silencioso, e os dois já estavam dentro do disco voador.
- Senhores passageiros, por favor, mantenham as mãos e os pés dentro do disco voador. - anunciou a aeromoça - Dentro de instantes, estaremos partindo para o Acre. Agora, queiram me dar licença.
Ela se retirou, apanhou uma bandeja de café em cima do carrinho de lanches e entrou na cabine do piloto.
Só que, por uma incrível coincidência do destino, o co-piloto acabara de comer uma banana e jogara a casca justo no local onde o pé da aeromoça estaria em meio segundo. O café encharcou o painel de controles da nave enquanto o piloto anunciava: "partindo para o Acre em três, dois, um. Merda!"
------------------------------------------------------------
A caminho do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek vinha um avião em que, por acaso, estava o nosso amigo Vitor Renan, também conhecido como Feipa, também conhecido como \/!T0₢ Rënän.
Com a aeronave já sobrevoando o Distrito Federal, três homens se levantaram, um de cada vez, e caminharam lentamente até a frente do avião, enquanto os outros tripulantes se perguntavam a razão daquilo.
- Muito boa tarde, senhores passageiros. - disse o homem do meio - Nós somos três terroristas da Al Qaeda em visita ao seu país. Por favor, não se assustem. Não queremos lhes fazer mal. Em vez disso, queríamos pedir sua atenção para a apresentação que preparamos especialmente para vocês. Vamos apresentar "My Little Buttercup", de Randy Newman.
- Bicha! - gritou o Feipa.
- O quê? Quem disse isso? É assim que vocês tratam os estrangeiros?! Então, tá! Foram vocês que pediram!
Os terroristas então sacaram suas armas, entraram na cabine e atiraram no piloto e no co-piloto.
- OK! - anunciou o chefe pelo rádio - Nós tomamos controle do avião. Não façam nenhuma idiotice e sairá tudo bem. Nós não planejamos fazer ataque algum ao seu país. Apenas queremos pilotar este avião porque nunca tivemos a chance.
- Exceto no Flight Simulator. - acrescentou o segundo terrorista.
- Isso. Assim como nunca tivemos a chance de apresentar nossos números de dança. O público sempre nos rejeitou. Pensamos que aqui fosse diferente. - o chefe secou uma lágrima - Mas tudo bem. Olha... Me deu uma fome agora... Alguém sabe onde tem uma boa pizzaria por aqui?
- Eu sei! - gritou um passageiro.
- Traga ele aqui, Terrorista nº3. - disse o chefe ao terceiro terrorista.
O passageiro foi levado à cabine.
- Então, onde é? - perguntou o chefe.
- Tá vendo aquelas duas torres? - apontou o passageiro.
- Hum... O que tem elas?
- Ali eles fazem as pizzas mais famosas do país!
- É mesmo?
- Uhum!
- Uau, nunca imaginei que aquilo fosse uma pizzaria... Não tem cara de pizzaria... - disse o chefe, virando-se para o passageiro.
- É pra não chamar muita atenção. Senão fica ainda mais lotado. Os caras já tão sobrecarregados de trabalho...
- Ah, sim.
O avião foi na direção das torres, e tudo estava indo bem. Até que, do nada, apareceu um disco voador e os dois se chocaram.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Gustav's Saga - MAIS GENTE...

Ou: Capítulo 8

Nosso grande ex-monitor do laboratório de Física, o Gustavo (que não sou eu, até porque eu não sou ex-monitor de física) estava caminhando serelepemente pelo terceiro andar do Pátio Brasil, após sair de uma sessão de cinema do mais hypado filme do momento, Avatar (mentira, era Lua Nova), quando resolveu se debruçar no parapeito. De repente, um cara bem gordo e careca veio correndo por trás dele, e, sem a menor explicação, deu-lhe um chute bem forte, fazendo-o passar para o outro lado do parapeito e cair no chão do térreo do Pátio, como um bom emo faria.
Enquanto isso, a Carol de Castro estava caminhando pela Saraiva, também no Pátio, e observando os livros e dvds disponíveis para venda que há por lá. Foi então que seus olhos pousaram em uma visão do inferno. A princípio, ela pensou ser uma brincadeira, mas não poderia ser. Era oficial, estava a venda e tinha editora, capa, tudo bonitinho, do jeito que devia ser. E ainda era parte de uma coleção.
Ela começou a perder os sentidos, enquanto aquela visão importunava seus olhos, queimando-os. Entretanto, por mais que ela tentasse fechá-los, aquelas palavras macabras na capa pareciam obrigá-los a permanecer abertos.


- NÃÃÃÃÃO!! - gritou ela, antes de desmaiar e bater a cabeça na prateleira bem atrás de si.

Em Asgard, os que já estavam lá comiam vorazmente, sentados à mesa comunal do refeitório. Afinal, haveria outra batalha de balões d'água em breve.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Gustav's Saga - WHATEVER WORKS.

Ou: Capítulo 7

Todos conhecem a incrível habilidade de morder da Larissa. Seus dentes podem arrancar pedaços de carne majestosamente grandes, com a sutileza de um elefante em uma casa de vidro. É claro que os efeitos de ser mordido pela Larissa não são conhecidos, já que todos os que já tiveram esse privilégio ou morreram ou temem demais por sua própria vida para revelá-los.
Foi durante uma demonstração de sua maestria maxilar para o braço de nossa amiga Isa que ela, inexplicavelmente, desmaiou, caindo pela janela de seu apartamento e levando a Isa, com o braço preso dentro de sua boca, junto.

No já famoso refeitório de Asgard, o Leo, o Melgares e o Pedro se recompunham enquanto eu empanturrava minha boca de pedaços de carne majestosamente grandes.

- UOU! O que é que aconteceu aqui? - disse o Melgares.
- RutÊ! - disse o Leo.
- E por que eu morri, afinal? - disse o Pedro - eu nem tava no ônibus! Ou tava?
- Será que você não era o motorista? - perguntou o Leo.
- Não, - respondeu o Pedro. - ele tinha uma perna de ferro.
- Aqui está o Gustavo - disse o Melgares, reparando que eu estava na mesa, comendo. - Vamos perguntar pra ele. Gustavo... - disse ele, aproximando-se de mim e fazendo a voz da Marília Gabriherpes - conta pra nós como é que viemos parar aqui. Você que é ator, escritor, aspirante a diretor, sente calor, parece não sentir amor e detesta couve-flor.
- Bom... - disse eu, parando de comer - Vocês estão em Asgard, não me perguntem como ou por quê.
- Como é que você não sabe? - perguntou o Leo - Não é você que tá escrevendo a história?
- Errr... Whatever! Não consegui pensar numa explicação racional.
- E eu, por que morri? - disse, obviamente, o Pedro.
- Eu queria deixar um suspense e só revelar no último capítulo, mas, foda-se: Você foi atropelado pelo ônibus.
- Ahm. - respondeu ele, reticentemente.
- E não me perguntem por que a Brittany Murphy não veio pra cá. Eu não sei!
Então, eu, enquanto escritor, e não enquanto personagem, fui preenchido por uma colossal preguiça, por já ser mais de duas da manhã e por ter acabado de voltar da festa de Bruno, e resolvi, para encurtar as coisas, dizer que acabou a batalha com os bárbaros, o Gian e o André voltaram para o refeitório e a Larissa e a Isa apareceram, como vocês já devem presumir, envoltas por uma nuvem de fumaça. Então, eu fechei o navegador, desliguei o computador, apaguei as luzes, desci as escadas, escorreguei, por estar de meias, rolei escada abaixo, me levantei, fui cambaleando até o quarto, terminei de assistir "My Fair Lady" e fui dormir.




---------------------------------------------------------------------
Os comentários a seguir são os originais postados no blog
Nota do Tradutor, à época do lançamento deste capítulo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Gustav's Saga - TEM INÍCIO A BATALHA!

Ou: Capítulo 6

O transporte público no DF, assim como em, provavelmente, todo o Brasil, é uma merda. Sem contar que tem engarrafamento direto (também) por causa dos ônibus. Em um desses ônibus estavam, não por acaso, dois amiguinhos nossos: o Leo e o Melgares. O ônibus corria quando podia (e quando não podia, também) e, assim, a viagem era rápida e perigosa. Foi na W3, na 503 sul, pra ser mais preciso, que o ônibus em que eles estavam deu uma guinada súbita para a esquerda, bateu no meio-fio e se desgovernou. O motorista havia desmaiado, e com o pé no acelerador! Em qualquer outro caso, o pé simplesmente teria aliviado e o carro teria morrido, mas, no caso desse motorista em particular (e, por uma coincidência enorme, era justo ele quem estava dirigindo justo aquele ônibus justo naquele dia), não. Isso porque esse motorista em particular tinha uma perna de ferro substituindo justamente a perna direita. Assim, o ônibus, em vez de parar, ganhou velocidade.
Num momento de súbita revelação em meio ao desespero, o Melgares, suando frio, olhou para o Leo e anunciou:
- Leo, segura! Nós vamos bater!

Enquanto isso, em Asgard, eu, o André e o Gian saíamos do refeitório viking para enfrentar as hordas de inimigos ferozes munidos de seus machados sanguinolentos. E nós, o nosso time de bárbaros vikings, estávamos igualmente ferozes e ameaçadores, munidos de nossos... balões de água?!
Por incrível que pareça, milhões de homenzarrões barbudos e suados corriam ao nosso lado grunhindo e rangendo os dentes e brandindo nada mais que bexigas cheias de agá-dois-ó.
Enquanto os inimigos tinham machados!
Um dos bárbaros que lutavam ao nosso lado arremessou, com sua força viking, um balão em um adversário e, quando este foi atingido, virou pó.
- É claro! - pensei - Esses bichos são mais porcos que alguém bem porco! Eles odeiam água, e tem tanta sujeira grudada neles que simplesmente não suportam a limpeza!
Entendendo isso, nós três - ou seja, eu, o Gian e o André - avançamos, sem temer um banho, e derrotamos cada um um inimigo.
O André subiu em cima de um bárbaro que havia derrotado e gritou, em pose triunfal:
- Dedico esta vitória à Larissa!
O Gian subiu, com muita dificuldade, em cima de um bárbaro que havia derrotado e gritou, em pose triunfal:
- Dedico esta vitória à Isa!
Eu subi em cima de um bárbaro que havia derrotado e gritei, em pose triunfal:
- Dedico esta vitória à Scarlett Johansson!
Então, um inimigo me acertou uma machadada na nuca e eu morri.

No refeitório, o Melgares, o Leo e o Pedro (sim, ele mesmo!) apareceram, envoltos por uma nuvem de fumaça.




---------------------------------------------------------------------
Os comentários a seguir são os originais postados no blog
Nota do Tradutor, à época do lançamento deste capítulo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Gustav's Saga - HORA DE LUTAR!

Ou: Capítulo 5

- É, não funcionou - disse o Gian.
Ele deu de ombros e começou a mastigar um pedaço de carne que se materializara em sua frente. Eu fiz o mesmo, o que não foi mal, mas devia ter pegado um pra mim.
Alguns segundos depois, porém, o André apareceu no refeitório, envolto em fumaça, bem no começo de Fade to Black.
- É um corno um passarinho que faz isso! - disse ele.
- Drew! Nhact! - gritou o Gian.
- E aí, velhos? De boa? - ele nos cumprimentou com apertos de mão.
- Cara, estamos em Asgard! - disse o Gian.
- Que maneiro, velho! Agora, eu finalmente tenho motivos pra deixar minha barba crescer!
- Sim! Fazer trancinhas! - eu adicionei.
- Sente-se, meu caro. - disse o Gian ao André, que assim o fez.
- Quero comida também! - disse o André.
- É o seguinte, e isto serve também para a música: imagine e aparecerá. - expliquei.
- Que foda, velho! - disse ele, enquanto uma caixa de nuggets se materializava em sua frente e começava a tocar (só para ele) Enter Sandman. - Mas - ele continuou - como é, nhac, nhac!, que a gente faz pra voltar pra Terra??
- Cara, não faço idéia. - eu disse. - Mas a gente, nhoc!, pode trazer quem está na Terra pra cá.
- Porque eu acho que a Larissa tinha que vir também..., nhac! - disse ele.
- É, eu sei, gulp!. Vi seu comentário no post anterior.
- Uhum. Então... Vamos pensar como a gente, nhac!, faz pra trazer pessoas pra cá... - disse o Gian. - A gente pode, nhec, nhec!, invocá-las, como aconteceu com o Drew, ou elas morrem, gulp!, e, de alguma maneira, vêm pra cá, como aconteceu comigo e com o Gustav.
- Uuuuuuuh! - disse o André, estupefato. - Mas como a gente, nhac, nhac!, faz pra elas morrerem?
- Não sei - disse eu. - parece, baigou, baigou!, que é ao acaso, cara. Que nem aconteceu comigo, gulp!, e com o Gian.
Tá, então, nhac!, ou a gente arruma um jeito de invocar todo mundo, ou a gente espera eles morrerem ao acaso?
- É isso aí... - disse o Gian.
Nesse momento, vários vikings adentraram o salão, empunhando seus machados sujos de sangue e gordura.
O próprio Odin, à frente deles, andou até o centro da sala, levantou o braço e gritou:
- Nossa batalha começa agora! Peguem suas armas e vamos lá!
- RAUL, RAUL, RAUL! - gritaram os vikings.




---------------------------------------------------------------------
Os comentários a seguir são os originais postados no blog
Nota do Tradutor, à época do lançamento deste capítulo.

Fuga 'S'em Dó

"Vou fazer um poema valsado,
como um vinho maduro na adega,
e salvá-lo no blog dos trú..."
Mas nem mesmo eu prossigo qual bardo,
interrompe-me um puto colega:
"Que viadagem é essa? Vai tomar no cu!"

E o santo quebrou-me a tal métrica
que eu tanto me empenho em tecer...
De rima, no entanto, só tétrica
me ocorre, e me ponho a correr!

O Gustav pegou sua funda;
a Mih, c'o bastão me ameaça.
Gian, destro anão, não-corcunda,
co'a Isa me busca na caça.

Larissa me mira na bunda;
seus dentes refulgem sangrentos.
O André já me olha na sunga:
planeja-me Coca com Mentos!

David quer me ver andorinha; (¬¬)
o Rafa, enterrar minha ode;
o Léo, extrair minha espinha;
Melgares levou meu iPod!!

"Socorro!!", eu imploro, num grito;
Carol também não se apieda:
ao Michael invoca; eu, aflito,
disparo, tropeço e na queda

me viro, e me diz Leila Lopes:
"Cuidado, você vai cair!"
Cavalo mortinho aos galopes
me vê na agonia do fim

e pára, sorrindo, ao meu lado:
"Viu só, seu otário, em que dá?
Aprenda a lição, e calado!!"
Engulo a resposta, e me ponho a vagar...

O poema ficou sem final...
Mas quem liga, não é um joguinho!
Pois zerá-lo eu não vou, animal!
Então tu que te vires sozinho!

Se queres a dica do quê,
concedo-a co'a alma contente!
Começo a versar e você
responde, pois é um repente!!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sonho-Manifesto das Vivências

Há mais de uma semana, tive um sonho estranho. Tratava-se de um diálogo (ou um monólogo) muito peculiar, entre duas personagens sobre as quais eu conheço muito pouco.

- Pedro...

Alguém me chamara. Não fui capaz, a princípio, de responder nada (excetuando alguns sonolentos e rancorosos grunhidos) .

-Pedro ! Pedro ! ... - continuou. - Acorda, tenho que falar contigo.

Decidi responder, muito a contragosto.

-Que foi ?! - eu sabia quem era. Reconheci pela entonação eloqüente.

-Você precisa viver.

-Perdão?...

-Você precisa viver. Você não tem vivido direito, e sabe disso. Não falo em relação aos teus vícios ou aos teus hábitos e rotinas, ou do que tu chamas essas pequenas misérias do cotidiano.

-Que quer que eu faça, então?

-Primeiro, dedica-te ao corpo e à mente. Mantenha-os saudáveis. Então acaba os estudos, medita bastante e vira um homem bom.

-Prossiga.

-Então vá viver.

-Viver? Mas o que tenho feito até hoje?

-Tens aprendido; ainda estás em fase de formação de caráter.

-Concordo.

-Pensa o que seria da Literatura, por exemplo, se os grandes escritores não tivessem vivido propriamente? Ou da História ou da Política? Pedro, faça o favor a si mesmo, e viva.

-Se insistes...

-Sai da bolha que te criaram, passa por dificuldades, e vive.

-Parece bom.

-Será bom.


Acordei.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Gustav's Saga - MAIS UM PRO TIME

Ou: Capítulo 4

Lá nos confins da Terra, bem atrás da casa do Coragem, às cinco da manhã, o André dormia angustiado. Isso porque ele sentia uma vontade incontrolável de comer nuggets. Acordou.
- Larissa... - pensou.
Foi até a cozinha, pegou uma caixa de leite e outra de nuggets. Olhou para o leite e para os nuggets e pensou:
- Ah, vai demorar pra esquentar...
Então, jogou os nuggets numa vasilha e encheu-a de leite. Pegou um nugget e aproximou-o da face.
No momento em que pôs o primeiro pedaço na boca, e no exato segundo em que mordeu a macia e gélida superfície com gosto de frango, ele perdeu a consciência e caiu dentro da geladeira, derramando leite e nuggets por todo o chão da cozinha.

Em Asgard, eu e o Gian estávamos sentados à mesa do refeitório.
- Coma. Nhac! - eu insisti, mastigando um belo pedaço de carne caprina.
- Não tem comida no meu prato e não vejo comida por perto, comofas?
- Apenas imagine o que você quer comer. Gulp!
Então, um pote de Nutella se materializou em cima da mesa, bem à sua frente.
- Justo. - disse ele. - Como funciona isso?
- Pela força da mente. Nhac! Isso acontece, gulp!, por causa dos leitores de ondas, nhoc!, cerebrais espalhados, gulp!, por todo o reino de Asgard. Assim, você, baigou!, pensa, nhoc!, e o que quer que seja, gulp!, que você tenha pensado, nhoc! nhoc!, se materializa. E não se aplica só a comida. Pense em uma música, por exemplo, e ela tocará, só para você. É uma tecnologia fantástica. E com restrições específicas, gulp!. Pense em Crepúsculo ou Hannah Montana, nhoc! nhoc!, e você explode instantaneamente, com direito a sangue jorrando para todo lado.
- Genial! Nhac!
- E pensar que esses caras eram chamados de "bárbaros"...
- Mas, cara, que papo é esse de "batalha a travar"? Nhect!
- Cara... É isso o que vikings fazem: eles comem, lutam e morrem. Se estamos comendo, nhac!, agora, é porque vamos lutar daqui a pouco.
- Justo... Mas e o pessoal, lá na Terra? O que a gente faz?
- Bom... Como foi que você veio pra cá?
- Não sei, cara. Eu tava com a Isa, aí, do nada, eu apareci no meio de um jardim, e aí uma maluca me deu um tiro e eu vim parar aqui.
- Isso é porque nós somos os ESCOLHIDOS PARA SALVAR ASGARD! - eu disse, me levantando e assumindo uma pose triunfal. Um coro de vikings bêbados se formou por trás, bem na hora do refrão de The Unforgiven III. Curiosamente, eu e o Gian estávamos pensando na mesma música, embora não soubéssemos disso.
- Uuuuuuh! Sério? - ele perguntou, maravilhado.
- Não, brincadeira. - eu disse, me sentando - Não tenho a menor idéia de porque estamos aqui.
- Ah.
- Mas eu suponho que, já que eu e você estamos aqui, outro de nós deve poder estar também. E, se vamos lutar em breve, acho que vamos precisar de ajuda.
- De quem?
- Do pessoal. Além do mais, se a gente não sabe como voltar pra lá, podemos ao menos tentar trazê-los pra cá.
- Como, cara?
- Vamos pensar... Er... Você aparentemente morreu antes de vir pra cá, assim como eu...
- Você?
- Sim. Não faço a mínima idéia de como foi, mas sei que morri. E sei que tinha a ver com uma marmota e uma noiva com uma picareta nas costas.
- A Revolução das Marmotas de 1954?
- Exato! Sim, eu sei que você já sabia disso, vi seu comentário no post do prólogo da história.
- Hum. Tá, então, pra trazer alguém pra cá, a gente tem que matar essa pessoa, é isso?
- Acho que sim, cara.
- Ou... - seus olhos brilharam. - podemos tentar INVOCAR uma pessoa e ela virá até nós.
- Uuuuuuh! Como, meu filho?
- Peraí, você vai ver. Deixa eu tentar. - ele olhou pra cima e aumentou a voz. - Ó CRONOS, TRAGA-NOS O PORTADOR DE TUA UNHA!





---------------------------------------------------------------------
Os comentários a seguir são os originais postados no blog
Nota do Tradutor, à época do lançamento deste capítulo.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Gustav's Saga - FOOD, GLORIOUS FOOD

Ou: Capítulo 3

A marmota pôs a cabeça entre as pernas e se enrolou numa espécie de bola. Então, eu explodi.
- Carro amarelo! - disse a Larissa.
Então, ela e o André se pegaram.
- Fraco! - disse o Feipa.
Então, minha voz respondeu, num tom extremamente grave:
- COMO É QUE É?
E o Feipa se calou.
Na verdade, todos se calaram. Aí, foram todos para suas casas e, aparentemente, a história acabou aí. Quer dizer, foram todos para suas casas, exceto a noiva e a marmota.
As duas ficaram morando embaixo do bloco da Larissa por uns meses, até que, finalmente, decidiram que rumo tomar na vida.

Acredito que todos devem ao menos ter ouvido falar do Carnegie Hall. A grande casa de espetáculo em Nova York, Nova York, é famosa no mundo todo, e já sediou apresentações de inúmeros artistas dos mais variados ramos. O casal que morava de frente para o Carnegie Hall eram os simpáticos O'Brien. E, embora ninguém soubesse, os O'Brien não eram simples pessoas: eles eram, na verdade, bruxos. Mas não eram bruxos maus; muito pelo contrário. Eram simpáticos e atenciosos com todos a seu redor, e usavam sua mágica apenas por razões estéticas. Numa bela manhã de sol, quando os pássaros gorjeiavam alegremente em seus ninhos, a Sra. O'Brien espiava o jardim, debruçada sobre a janela da frente. O Sr. O'Brien havia saído para o trabalho fazia algumas horas, e ela sempre resumia seus afazeres entre a partida e o retorno do marido em se lamentar da feiúra de alguma coisa, para que pudesse consertá-la com mágica e, então, sentir-se orgulhosa de sua bruxice. O assunto do dia era a feiúra do jardim, e, por isso, ela o estava espiando.
- Ah, que jardim feio! - disse ela - Como eu queria ter uma cerquinha branca!
E então, uma cerca branca se materializou ao redor do jardim.
- Ah, que jardim feio! Como eu queria ter uma plantação de tulipas!
E então, centenas de tulipas apareceram em todo o jardim.
- Ah, que jardim feio! Como eu queria ter um anão de jardim!
Então, o Gian apareceu no centro do jardim, bem em cima das flores recém-criadas.
- Minhas tulipas! Maldito anão! - disse a Sra. O'Brien, enquanto puxava sua '12 de dentro do casaco. Ela deu um tiro certeiro no Gian, que rodopiou e explodiu na forma perfeita de um cogumelo.
- Ah, que jardim feio! Como eu queria ter um chafariz!

Enquanto isso, nas planícies verdejantes de Asgard, mais precisamente dentro do refeitório, eu me empanturrava de comida e suco de laranja, ao som de Master of Puppets. De repente, o Gian caiu no chão do aposento, envolto por uma nuvem de fumaça.
- Gustav! - gritou ele.
- Nhoc, nhoc! - disse eu, arrancando a carne de um pedaço de coxa de frango com meus poderosos maxilares.
- Que lugar é este? - perguntou, confuso.
- Asgard. Gulp! - eu disse, engolindo a carne do frango.
- Asgard? Quie belheeeza!
- Aham. Nhoc, nhoc! - eu disse, mastigando um pedaço de carne bovina.
- Como é que a gente veio parar aqui? Como a gente faz pra voltar pra Terra?
- Relaxa. Baigou, baigou! - eu disse, engolindo suco de laranja - Apenas sente-se e coma. Temos uma batalha a travar daqui a pouco.





---------------------------------------------------------------------
Os comentários a seguir são os originais postados no blog
Nota do Tradutor, à época do lançamento deste capítulo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Gustav's Saga - EXPLICAÇÕES

Ou: Capítulo 2

- Creio que já ouviram falar da gloriosa Revolução das Marmotas de 1954, não?
Todos ignoravam o assunto, exceto eu. Me manifestei gritando:
- Eu já! - agora eu aceitava a hipótese que se havia formado em minha mente ao tentar estabelecer ligações entre a marmota, a noiva e a picareta. Tudo fazia sentido, então!
- Ótimo! - disse a noiva, olhando para a marmota, um pouco atrás - Significa que nossa tentativa não foi em vão. Tivemos nossa glória momentânea eternizada nos livros de história!
-Er... - eu murmurei - Na verdade... Eu li sobre vocês numa revista em quadrinho da Turma da Mônica...
A noiva me olhou confusamente indignada. Não sabia o que era a "Turma da Mônica", mas sabia o que era uma revista em quadrinhos e sabia que elas eram diversão fútil para crianças. Como era posssível, então, que, após cinqüenta e cinco anos, os únicos registros de seus feitos encontravam-se unicamente em algo tão indigno quanto uma revista em quadrinhos?
- Não é possível... - disse, por fim. Olhou para trás. A marmota parecia igualmente decepcionada. Então, a noiva, subitamente, pensou que, talvez, uma informação pudesse lhe animar, ao menos por pouco tempo. - Quantas revistas falaram sobre nós?
Eu baixei a cabeça.
- Só lembro de uma história. Vocês aparecem, se não me engano, em três quadrinhos de uma página.
- Três quadrinhos! - lamentou-se. Levantou-se e foi até a marmota. - Três quadrinhos! - repetiu, incrédula. - Cinqüenta e cinco anos para aparecer em três quadrinhos! De uma página!
Sentou-se no chão, ao lado do buraco.
- Olha, moça... - eu disse, tentando acalmá-la. - Você pode não conhecer a Turma da Mônica, até porque a primeira tira só foi publicada em 1959... Mas eu posso garantir que eles são bem famosos hoje em dia.
Ela me encarou.
- Famosos, é?
Eu balancei a cabeça afirmativamente. Ela cobriu o rosto com as mãos.
- E agora? O que nós faremos?
Exceto por mim, a noiva e a marmota, todos ali estavam extremamente confusos e, por isso mesmo, não estavam entendendo pindarola alguma. Eu olhei pra cada um deles, e constatei que eles realmente não estavam entendendo nada.
- Como assim, pessoal? Vai dizer que vocês nunca leram aquela revistinha que o Cebolinha vai escrever um livro sobre fofocas no bairro, e aí ele menciona a Revolução das Marmotas como algum complô que ainda fosse se realizar, e tal...
Ninguém compreendeu.
- Tá, whatever...
A noiva continuava com o rosto entre as mãos, sentada ao lado da marmota melancólica. Ela ergueu a cabeça.
- Ainda vai se realizar.
- Como assim?! - eu falei, surpreso. - O plano de vocês não envolvia...
- Matar o Café Filho, sim.
- Eu ia dizer "usar biquini em público para chocar a sociedade", mas isso também serve...
- Matar o Café Filho... Hah! Esse maldito já deve estar morto há muito tempo... - olhou para mim - Não é?
- Uhum.
Então, a noiva se levantou, decidida, e disse, olhando para nós:
- Mas eu não estou! Eu estou viva. - olhou para a marmota - Nós estamos vivos! E, também, presos neste ano...
Os sons foram embora novamente, e sua falta reinou absoluta. Simplesmente, ninguém tinha o que dizer.
- ANTÔNIOOOOOOO... NUNES! - gritou o Leo. Todos, exceto a noiva e a marmota, captaram a mensagem e bateram em seus respectivos joelhos.



---------------------------------------------------------------------
Os comentários a seguir são os originais postados no blog

Nota do Tradutor, à época do lançamento deste capítulo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Testando, Testando, 1, 2, 3

Opa....esse troço funciona?! xD

Cara, que honra ser a parte internacional dessa coisa... Bom.. não agora, mas segunda feira serei.

A merda é que eu não vou poder ter muitas histórias nossas verídicas, já que estarei longe, mas pode deixar que eu invento xD

Beijo, galera!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Uma Pequena Observação..." 3 (E Eu Juro Que É a Última)

Esqueci de um detalhe:

a =< s

Prontinho.

Mas alguém me diz pq ">" e "=" juntos dão aquele piripaque o.O.o

"Uma Pequena Observação..." 2

Que pleura bizarra foi essa que acometeu o último post? O.o

Continuando...

Portanto,
s >= s.

O que me faz ficar com raiva por eu ter provado matematicamente que eu não tava certo, enquanto eu quis provar matematicamente que eu estava certo, ou era o contrário?

Ah, dane-se, eu era monitor de física, não de matemática.

Hm, deve ter sido num momento desses que me pegaram naquela foto.

Hum...

*cofiando a barba e tentando... ah, deixa pra lá.*

Boa noite! \o/

Uma Pequena Observação...

Notaram que o blog tem mais autores do que seguidores?
Isso é de certa forma paradoxal, já que seus autores meio obrigatoriamente o seguirão - ou não, não sei, mas a condição de autor o implica -, então como podem ser menos do que os seguidores?
OMG, que revertério.

Vejamos, matematicamente:
"Autores" = "a"
"Seguidores" = "s"

Olhando no blog, temos:
a > s

Mas, pensando bem,
a =

Portanto,
s >= s.

O que me faz ficar com raiva por eu ter provado matematicamente que eu não tava certo, enquanto eu quis provar matematicamente que eu estava certo, ou era o contrário?

Ah, dane-se, eu era monitor de física, não de matemática.

Hm, deve ter sido num momento desses que me pegaram naquela foto.

Hum...

*cofiando a barba e tentando... ah, deixa pra lá.*

Boa noite! \o/

Gustav's Saga - VÍTIMAS

Ou: Capítulo 1

A noiva saiu do buraco, confiante, e fez sinal com a mão para que a marmota ficasse parada. Nós ainda estávamos amedrontadamente pressionados contra a parede. A noiva e a marmota criavam uma hipótese em minha mente que era reforçada pela picareta. Mas; "nããããão..." Era impossível. Então, descartei a idéia. Olhei para a cara do Feipa e ele parecia que ia vomitar. Tinha alguma coisa estranha acontecendo com ele. Seus olhos estavam fixos na noiva.

- O que foi, rapaz? - disse ela, fria e confiantemente.

- P-p... - ele ganhou fôlego - Por que você...

- O quê?

Então, eu vi o rosto do Feipa ficar vermelho. Era raiva; muita raiva. Ou pimenta forte, mas a raiva é mais plausível.

- Por que você estragou a pizza, sua imbecil?! - Ele disparou.

Ela permaneceu imóvel, encarando-o silenciosamente.

- Pizza? - disse, por fim. Olhou em volta e constatou as caixas viradas e os dois pedaços caídos, tornados para sempre impróprios ao consumo humano. - Ô! - Deu uns passos pelo ambiente, em torno do buraco, chutando algumas coisas pelo chão - É que tá tudo entulhado aqui... Bagunçado...

Há estudos que comprovam que o ser humano, ao menos desprovido de tecnologia, por mais rápido que corra, está fisicamente impossibilitado de atingir a velocidade da luz. Também dizem que, caso alguém consiga algum dia fazer isso, essa pessoa será, então, transformada de matéria em energia. Mas as pessoas não cansam de tentar. A velocidade sempre fascinou o homem. Ele vem logrando, ao longo dos séculos, superar cada vez mais seus próprios limites, desafiando a própria natureza ao atingir velocidades incríveis, seja em aviões, automóveis ou até mesmo a pé. Recentemente, o velocista jamaicano Usain Bolt chocou o mundo ao quebrar três recordes de velocidade em todas as modalidades em que competiu em campeonatos por todo o globo. Ele corre tão rápido que parece ter asas nos pés. Dizem que ninguém pode superá-lo. Ele mudou padrões.
Antigamente, se me perguntassem qual é a coisa mais rápida no mundo, eu responderia, sem titubear, "a caganeira". Porém, depois de Usain Bolt, tive que reconsiderar essa resposta. E, depois do que eu testemunhei embaixo daquele bloco, esta tarde, tive que reconsiderá-la novamente.

O que aconteceu foi tão rápido que a informação não se processou bem no meu cérebro - e acredito que no de nenhum dos presentes ali.

Por um momento, vi, de relance, o pé da noiva chegar a pouquíssimos centímetros de distância do violão do André, e, antes que pudesse piscar os olhos, o André voava vorazmente sobre a mulher, lançando-a violentamente ao chão. Por pouco, os dois não caíram no buraco. O André socou-a inúmeras vezes, até que eu e o From percebemos o que estava acontecendo e nos levantamos para contê-lo.
O nariz da noiva sangrava torrencialmente, e tivemos que usar os guardanapos restantes da refeição para estancar o sangue.
Ajudamos a mulher a se levantar e, então, com o André ainda inseguro, fizemos com que ela se sentasse entre nós; porém não antes de nos certificarmos de que a picareta dela estava oculta.

- Gente, o que tá acontecendo? - perguntou a Carol.

- Rutê! - acrescentou o Leo.

- Explica pra gente o que tá acontecendo! - disse a Larissa para a noiva.

A mulher levantou o rosto e nos encarou com ódio. Virou os olhos revoltosos para o André, que, abraçado amorosamente ao violão, retribuiu com um olhar ainda mais amedrontador. Então, ela baixou a cara.

- Foi você que fez essa lambança, não foi, sua putinha? Cê vai ter que limpar isso aí! - eu disse.

- Cala a boca, Gustavo! - rosnou a Larissa.

-Vou explicar tudo... - disse a mulher. E começou a falar.



---------------------------------------------------------------------
Os comentários a seguir são os originais postados no blog

Nota do Tradutor, à época do lançamento deste capítulo.