Ou: Capítulo 2
- Creio que já ouviram falar da gloriosa Revolução das Marmotas de 1954, não?
Todos ignoravam o assunto, exceto eu. Me manifestei gritando:
- Eu já! - agora eu aceitava a hipótese que se havia formado em minha mente ao tentar estabelecer ligações entre a marmota, a noiva e a picareta. Tudo fazia sentido, então!
- Ótimo! - disse a noiva, olhando para a marmota, um pouco atrás - Significa que nossa tentativa não foi em vão. Tivemos nossa glória momentânea eternizada nos livros de história!
-Er... - eu murmurei - Na verdade... Eu li sobre vocês numa revista em quadrinho da Turma da Mônica...
A noiva me olhou confusamente indignada. Não sabia o que era a "Turma da Mônica", mas sabia o que era uma revista em quadrinhos e sabia que elas eram diversão fútil para crianças. Como era posssível, então, que, após cinqüenta e cinco anos, os únicos registros de seus feitos encontravam-se unicamente em algo tão indigno quanto uma revista em quadrinhos?
- Não é possível... - disse, por fim. Olhou para trás. A marmota parecia igualmente decepcionada. Então, a noiva, subitamente, pensou que, talvez, uma informação pudesse lhe animar, ao menos por pouco tempo. - Quantas revistas falaram sobre nós?
Eu baixei a cabeça.
- Só lembro de uma história. Vocês aparecem, se não me engano, em três quadrinhos de uma página.
- Três quadrinhos! - lamentou-se. Levantou-se e foi até a marmota. - Três quadrinhos! - repetiu, incrédula. - Cinqüenta e cinco anos para aparecer em três quadrinhos! De uma página!
Sentou-se no chão, ao lado do buraco.
- Olha, moça... - eu disse, tentando acalmá-la. - Você pode não conhecer a Turma da Mônica, até porque a primeira tira só foi publicada em 1959... Mas eu posso garantir que eles são bem famosos hoje em dia.
Ela me encarou.
- Famosos, é?
Eu balancei a cabeça afirmativamente. Ela cobriu o rosto com as mãos.
- E agora? O que nós faremos?
Exceto por mim, a noiva e a marmota, todos ali estavam extremamente confusos e, por isso mesmo, não estavam entendendo pindarola alguma. Eu olhei pra cada um deles, e constatei que eles realmente não estavam entendendo nada.
- Como assim, pessoal? Vai dizer que vocês nunca leram aquela revistinha que o Cebolinha vai escrever um livro sobre fofocas no bairro, e aí ele menciona a Revolução das Marmotas como algum complô que ainda fosse se realizar, e tal...
Ninguém compreendeu.
- Tá, whatever...
A noiva continuava com o rosto entre as mãos, sentada ao lado da marmota melancólica. Ela ergueu a cabeça.
- Ainda vai se realizar.
- Como assim?! - eu falei, surpreso. - O plano de vocês não envolvia...
- Matar o Café Filho, sim.
- Eu ia dizer "usar biquini em público para chocar a sociedade", mas isso também serve...
- Matar o Café Filho... Hah! Esse maldito já deve estar morto há muito tempo... - olhou para mim - Não é?
- Uhum.
Então, a noiva se levantou, decidida, e disse, olhando para nós:
- Mas eu não estou! Eu estou viva. - olhou para a marmota - Nós estamos vivos! E, também, presos neste ano...
Os sons foram embora novamente, e sua falta reinou absoluta. Simplesmente, ninguém tinha o que dizer.
- ANTÔNIOOOOOOO... NUNES! - gritou o Leo. Todos, exceto a noiva e a marmota, captaram a mensagem e bateram em seus respectivos joelhos.
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Nota do Tradutor, à época do lançamento deste capítulo.
"tap!" (tapa no joelho mode on)
ResponderExcluirSEGUNDA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO DE 2009